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Midnight in Paris
The iron lady
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April 05, 04:57 PM
April 05, 05:12 PM
"Não há forma nenhuma de se verificar qual das decisões é melhor porque não há comparação possível. Tudo se vive imediatamente pela primeira vez sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que vale a vida de o primeiro ensaio da vida é a própria vida? É o que faz com que a vida pareca sempre esquisso. Mas nem mesmo "esquisso" é a palavra certa, porque esquisso é sempre o esboço de alguma coisa, a preparação de um quadro, enquanto o esquisso que a nossa vida é, não é esquisso em nada, é um esboço sem quadro."
Milan Kundera
Eu sou um grande Isso.
O que é Isso?
O que é Isso?
Nada.
Então eu sou um grande nada.
Eu tenho tentado fugir desse meu lado que quer falar de mim mesma de forma estupidamente triste e auto-sensacionalista. Eu não consigo evitar, mas realmente detesto expor meus sentimentos, minhas frustrações. Já tentei me livrar de todas as redes sociais para acabar com essa mania idiota de me mostrar aos montes. Admiro muito quem consegue deixar tudo internalizado e aparentemente estabilizado do lado de fora. Sério, tenho uma puta inveja dessas pessoas. O fato é que não consigo falar as coisas, então escrevo, uso imagens, frases de grandes autores. Outros dos quais tenho inveja, essa gente que conseguiu escrever coisas sobre si mesmas de forma tão brilhante que deixa de ser sobre elas mesmas e passa a ser sobre qualquer ser humano, qualquer um. Basta ler e pensar “nossa, parece que ele me conhecia”. Putos.
Mas eu estou bem. Cara, eu to bem. Quero dizer, a última vez que chorei foi por causa de uma briguinha doméstica e não pela minha última desilusão amorosa. Sério, para alguns o fato de ter chorado já seria ruim, mas para mim existem categorias. Acho muito pior sofrer por amor. Eu sou incapaz de aprender a tocar um instrumento musical sozinha, tenho sido incapaz de me dar um orgasmo, sou incapaz de seguir meus planos, tenho tido essa incapacidade de dormir e acordar cedo também, falhei mais um dia em deixar o computador de lado e me concentrar nos estudos, mas eu sou totalmente insuperável em sofrer por amor. Mes-mo. Tenho uma capacidade im.pres.sio.nan.te de guardar, remoer, destrinchar, chegar ao osso de qualquer amargura amorosa. Eu sou daquelas que nunca nem superou a primeira frustração platônica. É um dom. Vou fazer um workshop “Como sofrer por amores não correspondidos em 5 passos, mas para sempre”.
É, tenho meus fantasmas e estão todos vivos, felizes e saltitantes, longes de mim, mas adicionados nas minhas redes sociais, atualizando relacionamentos e sendo muito felizes sem mim. E eles fazem questão de me lembrarem todos os dias: “Você é isso, querida. Você é exatamente isso. Nada”.
Oi, meu nome é recalque.
Mas eu trato eles perfeitamente bem. Sou um amor. Como se eles não tivesse inevitavelmente colaborado para acabar com a minha já escassa fé em mim mesma. Não importa, tenho que ser madura, saber que as coisas acabam, que a vida segue em frente. Não importa se sou uma página em branco, uma folha tirada da resma, colocada em cima da mesa e deixada lá, em branco, sem nenhum rabisco. Nenhum pesozinho em cima dela. Ela pode cair no chão, podem pisar nela, sem problemas. Assim é a vida, algumas coisas simplesmente não acontecem e lide com isso.
Como exorcizar vivos? Como se livrar do encosto da pessoa amada em 3 dias? Ninguém ensina essas coisas.
Eu não quero mais essas pessoas, talvez eu queira, mas nem quero mais. Quero dizer, quando tudo é recente você chora e pensa nelas todos os dias, até que a vida vai acontecendo e o jeito é seguir, aos trancos e barrancos, esbarrando sua perna existencial na quina da mesa, sabe, aos tropeços mesmo, mas você vai em frente e quando percebe, quase nem se lembra da pessoa, mas não dá pra fugir da idéia de que você já quis aquela pessoa mais do que tudo nessa vida. Você pode viver sem ela, ao contrário do que imaginava, mas poxa você já quis tanto. É terrível.
Eu acredito no amor. É, eu ainda acredito. A lavagem cerebral que fizeram em mim foi eficaz, nunca vou deixar de acreditar nele. Mas a medida da minha capacidade de sofrer por amor é diretamente proporcional a medida da minha incapacidade de despertar amor. Não sei o que vem primeiro, o que é consequência do quê. Mas é isso.
Sou a garota sem rosto, sem corpo, sem nada, na vida das pessoas que amei.
Vai dormir, menina.
March 20, 02:21 AM
“She wanted to be where she could not see herself. She wanted to be where everything did not happen twice. She walked, following the deep caverns of diminishing light. She touched ice and was bruised. To watch she must pause, and so what she caught was never the truth—the woman panting, dancing, weeping—it was only the woman who paused. The mirror was always one breath too late to catch the breathing.”
Anaïs Nin
Era madrugada e o sono havia lhe escapado pelos dedos. Ela não sabia se se masturbava, via um filme ou pensava em como sua vida seria quando ela finalmente conseguisse ser salva dela mesma. Resolveu masturbar-se um pouco pensando naquela noite da qual ela já não lembrava muito bem, porque tinha extrapolado o “protocolo social do consumo de bebida alcoólica”. Tudo bem, ela poderia facilmente contentar-se com uns frashs.
Era um primeiro encontro, eles haviam acabado de se conhecer, ela não treparia com ele mesmo que pudesse, mas aquela vontade era mais excitante do que qualquer coisa. Sua sorte era que seu vôo partiria logo cedo e ela não poderia perdê-lo, caso contrário aquela noite entraria pro hall-dos-grandes-erros-cometidos-por-uma-moça-mal-comportada.
Ela teria dado cada pedaço do seu corpo a ele ali mesmo, se quatro paredes saíssem do chão naquele momento, e ele se aproveitou disso como pôde.
As mãos dele percorriam seu corpo mesmo por cima das roupas e dos olhares. Mais um pouco daquilo e eles poderiam ser presos por atentado violento ao pudor. Era cruel e excitante como seu cérebro não filtrava mais a situação e se concentrava apenas no beijo e toque do outro. Ela só pôde pensar em qualquer coisa e analisar cruamente a situação no dia seguinte, porque naquele momento ela só queria estar na-que-le momento. O ontem e o amanhã não importavam e o hoje era um borrão com traços fortes, constrangedores e sexualmente apelativos.
As mãos dele percorriam seu corpo mesmo por cima das roupas e dos olhares. Mais um pouco daquilo e eles poderiam ser presos por atentado violento ao pudor. Era cruel e excitante como seu cérebro não filtrava mais a situação e se concentrava apenas no beijo e toque do outro. Ela só pôde pensar em qualquer coisa e analisar cruamente a situação no dia seguinte, porque naquele momento ela só queria estar na-que-le momento. O ontem e o amanhã não importavam e o hoje era um borrão com traços fortes, constrangedores e sexualmente apelativos.
Sem olhares. A mão dele apertando com firmeza sua bunda, percorrendo sua cocha e tocando sua buceta era a única coisa no mundo que ela poderia sentir, embora houvessem várias outras tantas acontecendo ao seu redor. Numa situação favorável ele a comeria até se cansar, fumaria um cigarro, ela pediria outro e se vestiriam com a certeza de que tudo não passaria daquilo, uma única noite de sexo.
Ela não iria querer mais vê-lo, para não ter que pensar no que lhe faltava, no que teria feito de errado para despertar tão pouco interesse, ele não desejaria mais vê-la porque havia tantas outras mulheres no mundo.
Então ela pensou em como era bom que seu vôo partiria tão cedo, que ela teria que ir embora sem que as coisas se concretizassem como inevitavelmente seriam. A garota perdida não precisava preocupar-se, tudo aquilo passaria sem maiores danos.
Com aquele pensamento ralo, apagado e incompleto ela gozou.
March 16, 04:42 AM
Já tenho um passado, tenho tanta história. Meu coração está ardido de meias-solas. Sei um pouco das coisas? Acho que sim...Caio F.
Ela olhou bem nos olhos dele e disse:
– Você realmente pode ter o que quiser. O mundo é seu. Eu não falei isso para te agradar ou te comer. Você é um cara incrível dentro desse casulo de cara sem graça. Só precisa perceber isso. Você vai achar alguém que te conquiste e te faça ver isso.
– E por que não você?
Ela sabia que não era um “e por que não você” de lamento ou vontade. Era só uma pergunta dessas pessoas que querem analisar ao máximo a situação. Mas respondeu como se ele tivesse dito isso aos prantos:
– Porque ainda não consegui conquistar nem a mim mesma. Eu estou longe de ser algo que admiro e respeito. Sou um dos meus rascunhos. Eu preciso, sabe... Flertar comigo mesma, me querer. Eu tenho feito um esforço absurdo para me destruir. Tenho feito e dito coisas que há algum tempo atrás, antes daquela merda toda jogada no ventilador, eu não faria ou diria. Tenho tentado ser totalmente fora do roteiro que criei antes de tudo aquilo, porque tudo saiu errado. Eu não contava com a variável de que eu seria uma dessas pessoas totalmente despreparadas para vida.
Silêncio...
– Sabe, sempre pensei nas pessoas como investimentos a longo prazo. Você tem uma vida inteira e tudo é só um começo, então as pessoas estão longe de estar em 100% do que podem ser. Quando mais ingênua, pensei que acharia alguém que me visse assim. Uma dessas pessoas que potencializam toda sua capacidade de viver. Que te empurram para frente porque de alguma forma elas conseguem ver claramente o que preenche as lacunas que faltam em você. Porque essas pessoas existem e algumas outras – pouquíssimas – conseguem encontrá-las. Eu não. Não foi fácil perceber que eu teria que ser essa pessoa para mim mesma. Que só eu poderia potencializar toda minha capacidade de viver.
– Mas com todo mundo é assim.
– O caralho. Não suporto essas generalizações “dalailâmicas”. Nossa, que termo horrível, mas quero dizer, não me importa se com todo mundo é assim. Não me sinto como todo mundo, me sinto como eu. Todo santo dia me sinto como eu. Então não me interessa se todos-devem-fazer-uma-descoberta-solitária-de-si-mesmos-e-blá-blá-blá. No meu mundo sempre tem alguém que dá um empurrãozinho. E na minha vida nunca vai ter ninguém. Então a porra toda está sob minha inteira responsabilidade.
– E por que comigo seria diferente?
– O quê?
– Eu sempre falo uma vida e você uma ponta de iceberg.
Ele ri sabendo que é uma verdade quase que imutável.
– Você não me respondeu. Ele diz.
– Eu não sei. Eu só queria que com você fosse diferente.
– Você vê solução pra todo mundo, menos pra você.
– Culpada.
– Para de se sabotar, menina.
– Faz parte do meu show.
– Falo sério.
– Eu sei.
Silêncio...
– Agora você que está falando a ponta de um iceberg.
– Tava pensando.
– No quê?
– Vamos trepar?
– Era nisso que você estava pensando?
– É essa sua resposta? Uma pergunta? Ow, essa era sua deixa para tirar minha calcinha, não para continuar me analisando feito um legista.
- Por que legista?
- Estou morta.
- Se eu tirasse sua calcinha seria necrofilia então.
Ela riu.
- Você é besta!
- Culpado.
March 08, 02:23 PM
Eles corriam em suas motos o mais rápido que podiam num vasto branco sem fim. Estavam apreensivos e assustados, certamente fugindo de algo, mas do quê? Tudo que se via eram quatro motos montadas por rostos completamente em pânico.
Um deles cai e apesar da velocidade na queda, ela levanta assustada, monta na moto novamente e sai em disparada.
Um grupo de pessoas está trancado dentro de uma casa. Seus rostos também são assustados e poucas luzes permanecem acesas. De repente luzes surgem lá fora e uma delas pensa: “Os vivos”. É um pensamento cheio de medo. Eu sei porque essa pessoa sou eu. Alguém chega mandando apagar as luzes, parece um líder, todos se deitam no chão e não se ouve mais qualquer som que não seja os das luzes lá fora. Olho pra uma espécie de quintal lá fora que depois parece mais o ultimo andar de um prédio, uma grande cobertura, e tudo que vejo são cabeças emitindo luz. Como eles não nos vem? Como não entram? Como apagar as luzes e deitar no chão pode nos proteger? Proteger do quê? Quem são “Os vivos”?
Outro grupo de pessoas aparece em outro momento. Parecem loucos. Não querem se proteger, mas se divertir. Vão estragar tudo, os vivos vão nos pegar. Eles fazem muito barulho, Os vivos vão nos achar...
O líder tenta argumentar: “Todos quietos, não façam barulho”. Uma luz insiste em não apagar. Tento apagá-la, tiro alguma coisa da tomada, mas não apaga. O que ta acontecendo? Os vivos estão lá fora, estão nos vendo?
Um dos loucos finge estar sendo atacado, como se algo puxasse a parte inferior do seu corpo. Ele está realmente sendo atacado? Parece que não, estão rindo ou gritando? Não façam barulho, Não façam barulho.
Sonho doido.
Estou quase acordando, não quero acordar. Quero entender. Não quero acordar.
Acordei.January 07, 04:10 PM
She laughs
holding her cigarette
high in the air
smoke sifting off
ignored
and we are in bed together
laughing
and we dont care about anything
and it is very
very funny
- Bukowski
Às vezes acho que o mundo dá voltas completas só pra que você venha parar em cima de mim. Que teus seios só existem para que meu toque faça o mundo girar. Você tem o corpo que minha língua quer percorrer, e o meu corpo foi feito pro teu. Só dá pra imaginar minha língua entre tuas pernas, meus dentes mordendo de leve tuas coxas, teu pescoço, o lóbulo perfurado da tua orelha. Que palavra estranha, “lóbulo”, mas em você ela é linda. E sexy. E dá vontade de morder essa palavra no teu corpo. Tudo em mim perdeu a identidade original depois que te encontrou. Agora a função de tudo em mim é te tocar.
Você está tentando ler? Desculpa, mas tua pele grita meu nome e eu não consigo dizer não ao seu grito silencioso enquanto seus olhos passeiam por essas páginas. E eu não sei por que cada pedaço seu me faz querer fazer o mundo dar outra volta. Não quero que você saiba que você só faz sentido comigo, porque não quero que você procure fazer sentido sem mim.
January 03, 09:53 PM
March 16, 04:45 AM
“In the world of the dreamer there was solitude: all the exaltations and joys came in the moment of preparation for living. They took place in solitude. But with action came anxiety, and the sense of insuperable effort made to match the dream, and with it came weariness, discouragement, and the flight into solitude again. And then in solitude, in the opium den of remembrance, the possibility of pleasure again.”
Anaïs Nin
Sofia tinha finalmente aprendido a separar amor de sexo. Depois de todas aquelas desilusões ficou fácil fazer uma coisa sem necessitar da outra. É o tipo de aprendizado que transforma uma garota legal numa cadela completa. Socialmente falando, claro. Sobre o crivo social, uma mulher que aprende isso nunca é “bem vista”, o mundo dos que sabem que sexo é uma coisa e amor é outra é comandado por homens. Mulheres com esse tipo de conhecimento são automaticamente tachadas de vadias. Mas o fato é: se você é uma garota desejável, sensível, e cheia de hormônios femininos percorrendo seu corpo, e você não aprender isso, irá sofrer. Muito.
Primeiro você não entende bem o que os homens vêm no seu corpo, sabe que se mostrá-lo um pouco mais atrairá olhares, mas no começo não saca exatamente porque isso acontece. O segundo passo é começar a romantizar esses olhares, achar que eles atravessam sua pele e tocam seu ser, e vem realmente o que você é. Se sentir desejada é isso.
O terceiro passo – a desilusão – é finalmente perceber que quando olham pro seu corpo não vem nada alem do seu corpo, e do que podem fazer com ele. É quando a garota saca que se romantizar o tempo todo vai sofrer o tempo o todo. Ok, isso não acontece com todas as garotas e nem todos os homens são assim, mas se quer ler histórias sobre garotas felizes e caras legais, procure outro blog, e me pergunto como você veio parar aqui.
Eu falo de caras que olham peitos e vem seus paus entre eles, que sonham com bucetas apertadinhas, belos rabos que dêem perfeitamente para seus pênis.
Sofia finalmente entendeu isso. Foi um choque de início, mas também foi libertador. Ninguém imagina o quanto é difícil para uma mulher deixar de lado o que acha doce e bonito e aceitar a realidade, se livrar de tudo que enfiaram na cabeça dela durante tanto tempo. Os finais felizes, o amor vencendo tudo, besteira. Sofia sabia que homens só queriam trepar e isso não a incomodava mais. Eles queriam comer, ela queria dar, qual o problema?
Ela pensava, ao ver mais um cara olhando daquele jeito pro corpo dela: “É, meu querido, você pode gozar nos meus peitos, mas me chupa antes que não vou sair sem nada dessa. Se eu só queria dormir de conchinha hoje? Sim, era o bastante pra mim, mas tudo bem se você só quer sexo, eu tenho uma buceta, você tem um pau, e ambos bastam um pro outro. Depois eu tomo um banho, visto minha roupa e disfarço o vazio da minha alma fumando um cigarro. Você ri, diz que sou linda e vai embora. Você tocou todo meu corpo, mas vai sair pela porta sem ter me tocado. E tudo bem”.
Sex song: Portishead - Strangers
November 11, 09:03 PM
Agora sim, fiquei sozinho. O ar ao meu redor estava mais leve. Não era fácil aceitar a solidão. Nem aprender a me auto-abastecer. Eu continuava pensando que seria impossível. Ou desumano. “O homem é um ser social”, tinham me repetido muitas vezes. Isso, mais o calor do trópico, o sangue latino, minha mestiçagem fabulosa, tudo conspirava em torno de mim, como uma rede, deixando-me incapacitado para a solidão. Esse era o meu problema, o meu desafio: aprender a viver e a desfrutar dentro de mim. E o problema não é simples: os hindus, os chineses, os japoneses, todos os povos que têm culturas milenares dedicaram boa parte do seu tempo a desenvolver filosofias e técnicas de vida interior. Mesmo assim, todo ano se suicidam no mundo não sei quantos milhares de pessoas, arrasadas pela própria solidão. E não é verdade que alguém escolha estar sozinho. É que, pouco a pouco, vai ficando sozinho. E não tem saída. É preciso resistir. Você chega a uma imensa planície desértica e não sabe que merda fazer. Muitas vezes pensa que o melhor é fugir. Para outro país, outra cidade, outro lugar. Mas continua amarrado. Outras vezes acha que é melhor não pensar muito em si mesmo e na puta solidão, que fica ainda mais aguda quando você está isolado e em silêncio. Bom, então é preciso se mexer. E você sai por aí. À procura de um amigo, ou de uma mulher que lhe dê um pouco de sexo. Não sei. Alguém para não ficar sozinho, porque você já sabe que quando fica assim o rum e a maconha deprimem ainda mais. Um pouco de sexo, talvez. Se não, pelo menos um amigo.
Pedro Juan Gutiérrez - trecho do conto "Solitário, resistindo", p. 76-7.
November 12, 03:53 PM
“I don't want to have to do this living. I just walk around. I want to be swept off my feet, you know? I want my children to have magical powers. I am prepared for amazing things to happen. I can handle it.”
John Hawkes (Richard)
Vou acender um cigarro e escrever sobre você porque não vou poder te ter como quero. Posso apertar teus seios, mas não posso aquecer teu coração. Isso é loucura. Posso sentir o cheiro do teu cabelo, beijar tua boca, morder teu pescoço, segurar tua mão até nossas mãos ficarem suadas - e mesmo assim não querer soltar - e percorrer teu corpo inteiro com a língua, mas não posso fazer com que o que não é pra ser, seja.
Será que não dá pra quando sentir tua boca, atrelar tua alma a minha? Posso dividir cigarros com você até nossos pulmões apodrecerem juntos?
March 16, 04:59 AM
Celine estava pensando em como queria ler todos os livros de Charles Bukowski. Sabe, ir fundo na lama, conhecer, entender e aceitar toda merda que existe na humanidade, dentro de cada um. Dentro dela.
Celine - ou Céu, como seus poucos amigos ironicamente a chamavam - não queria ler a droga do Nicolas Sparks, esse mundo de pessoas felizes e lições finais não era o dela. Porque ela era estragada. Profundamente estragada. Ela sempre esteve perdida.
Celine - ou Céu, como seus poucos amigos ironicamente a chamavam - não queria ler a droga do Nicolas Sparks, esse mundo de pessoas felizes e lições finais não era o dela. Porque ela era estragada. Profundamente estragada. Ela sempre esteve perdida.
Existem pessoas que são movidas a insatisfação. São fáceis de identificar, elas são aquelas pessoas que não conseguem manter uma conversa por mais de 5 minutos, elas parecem misteriosas quando na verdade só estão vazias, completamente vazias. São pessoas que leram mais livros do que deveriam já aos 10 anos de idade, que viram filmes demais e que não conseguiram conciliar o que havia dentro da cabeça delas com o mundo real. Elas se tornaram seres humanos pensativos e cansados demais. Elas se isolam do mundo em vários momentos, são perturbadoramente tristes, inseguras e medrosas.
Celine leu esse livro* e logo viu que era uma dessas garotas que esse autor chamou de “aleijadas emocionais”.
Você não precisa ler esse livro, é um desses que te fazem ver além da superfície. Se você é uma dessas pessoas bem resolvidas, que tem lidado bem com a vida, todos gostam de você, você trepa regularmente e tem relacionamentos como qualquer outro, tudo bem, vai ser só mais uma leitura interessante para você comentar com um dos seus amigos normais. Mas se você é um fracasso humano como Celine, melhor não. Você vai se identificar com cada sujeito fodido e derrotado que aparecer, pessoas que são um amontoado de lixo emocional. E isso só vai te deixar mais desapontado consigo mesmo. Sério, não leia esse livro. Ela vai transar com o primeiro babaca que quiser enfiar o pau dentro dela só pra não se sentir tão ausente desse mundo e depois vai achar um jeito de se torturar por causa disso.
Você não precisa ler esse livro, é um desses que te fazem ver além da superfície. Se você é uma dessas pessoas bem resolvidas, que tem lidado bem com a vida, todos gostam de você, você trepa regularmente e tem relacionamentos como qualquer outro, tudo bem, vai ser só mais uma leitura interessante para você comentar com um dos seus amigos normais. Mas se você é um fracasso humano como Celine, melhor não. Você vai se identificar com cada sujeito fodido e derrotado que aparecer, pessoas que são um amontoado de lixo emocional. E isso só vai te deixar mais desapontado consigo mesmo. Sério, não leia esse livro. Ela vai transar com o primeiro babaca que quiser enfiar o pau dentro dela só pra não se sentir tão ausente desse mundo e depois vai achar um jeito de se torturar por causa disso.
Celine talvez se mate antes dos 30 ou talvez cultive alguma esperança de consertar-se antes dos 40. Celine não irá se casar, ter filhos, Celine preocupa seus familiares que a acham estranha demais - “nunca vi essa menina com um namorado”, dizem pelas suas costas.
Eu não sei o que será de Celine, nem ela sabe. Ela não espera muito, só quer morrer logo e conseguir uma boa foda antes disso. Ela não tem jeito, nem esperança.
*livro: Sobrevivente. Chuck Palahniuk
Imagem: Californication.
*livro: Sobrevivente. Chuck Palahniuk
Imagem: Californication.
Poetry Song: "Bluebird" - Charles Bukowski
November 12, 12:32 AM
Ela queria ser chupada, penetrada, lambida, mordida, machucada. Ela queria palavras com S: sangue, saliva, suor, sexo, então saiu. À procura de alguém que lhe desse o que desejava sem mais rodeios. Era simples, era pouco, direto, objetivo. Ela queria tocar outro corpo, não ousaria mais tentar tocar outra alma. Acontece quando você não acha nenhuma resposta, então você desiste das perguntas, analisa os fatos e parte pra ação.
Você precisa fazer algo por você então se concentra nas suas necessidades básicas: comer, dormir, trepar. São coisas que você faz pelo e por causa do seu corpo. Você precisa delas, depende delas, mas em geral elas não te perturbam, em geral, não te trazem sentimentos confusos, complicados, impossíveis. Qualé, você sabe do que estou falando: Amor. Mas isso não é uma história de amor, tampouco é uma história sobre sexo, na verdade isso não é nada.
Quando você quer sexo, você começa a pensar nas possibilidades: bares, amigos, festas, chats na internet, tudo depende do tipo de pessoa que você é. O fato é que se você estiver sozinho e essa necessidade passar por sua cabeça as coisas se complicam um pouco. Todo mundo pensa em sexo pelo menos uma vez por dia, semana, mês, sei lá, o mundo funciona graças a isso. Você pensa em sexo, então procura alguém, transa, quem sabe até se casa, tem filhos e está garantido a sobrevivência da espécie. Você pensa em sexo, mas por alguma impossibilidade de fazê-lo no momento, você se lança ao trabalho e mantém a economia. Você pensa em sexo, faz sexo, então se inspira, cria, e grandes obras de arte saem disso, ou ao contrário, você não faz sexo, se frustra, fica triste e grandes obras de arte também saem disso. Amor, Sexo, Dinheiro, os grandes pilares da sociedade, os combustíveis que fazem a grande engrenagem girar e esse blá blá blá todo.
Então era isso, ela queria trepar, meus amigos. Talvez sem dizer uma palavra, sem precisar olhar no olho, não dispensaria as preliminares, claro, ela era do tipo de mulher que gostava de preliminares, mas que não a fizessem falar. Que não a fizessem dizer alguma coisa antes ou depois, ela só queria o sexo, talvez uma bebida, um cigarro, Beatles cantando ao fundo “Oh, darling, please believe me. I'll never do you no harm”, um solo de guitarra, um corpo quente ao seu lado e mais nada. Um cenário e dois corpos.
Agora ela era uma daquelas pessoas que preferiam musica, sexo, bebidas e cigarros ao invés do amor. Você tem que ser uma pessoa assim pelo menos uma vez na sua vida ou se tornar alguém assim pelo resto dela. Tudo depende do tipo de pessoa que você é.
Sexy Song: Garbage - Sex is not the enemy